Dando o braço a torcer... Sempre tive um pouco de preconceito com música "alternativa". Aquelas que tocam em casas freqüentadas por pessoas "cult", que vestem roupas diferentes e têm uma postura "torniquete" (definição do meu namorado para pessoas desse estilo). Acontece que aprendi que não dá pra generalizar as coisas. Tudo bem, algumas músicas são bem estranhas mesmo, as bandas tem nomes não muito convencionais tipo "Cachorro Grande", "Ludov", “Gram” ou "Banzé". Mas isso não impede que algumas bandas denominadas "alternativas" não possam fazer um som legal. Na última semana conheci uma banda que adorei, mesmo sendo meio "torniquete". Chama-se Wonkavision, é formada por dois homens – Will (guitarra e vocais) e Kiko (bateria e backing vocal) – e duas mulheres – Manu (vocais e teclado) e Grazi (vocais e baixo). Aparentemente simples, mas muito interessante. Quem me indicou foi uma amiga da faculdade, a Mariana (Pulga). Ao ouvir algumas vezes o CD eu já estava adorando as músicas mas foi depois de ver o show que me apaixonei. Isso foi no dia 12/11, na Mondo 77, em Campinas. Ali caíram muitos preconceitos que eu tinha por esse estilo de banda. As letras são tão próximas da nossa realidade, eu particularmente me identifiquei com muitas delas, e o som e a melodia são muito gostosos. Quer conhecer um pouco mais da Wonkavision? Aí vai uma foto dos quatro integrantes (tirada no show que citei acima) e depois uma resenha que está no site da banda. Um jeito Wonka de soar pop Difícil é ser pop. Tocar em rádio e atingir um grande número de pessoas parece ter se tornado o oitavo pecado capital para as bandas novas. Cool é soar intelectual, se inserir em alguma cena cabeça e fazer um som-tipo-assim-alternativo-anti-establishment-pouco-catalogável...Pura confusão de pseudo-artista de país jovem, que ainda tem dificuldades de lidar com a cultura…pop. O Wonkavision não tem vergonha de soar simples, direto e melódico. Pop, numa palavra, popular, fácil de ser entendido por um grande número de pessoas –e, por favor, aqui, fácil passa longe de banal, óbvio. Soando assim, pop, o Wonkavision venceu um concurso virtual de bandas promovido pela Coca-Cola do Rio Grande do Sul em 2002 (que envolveu a MTV/RS e as rádios Atlântida, Ipanema e Pop Rock) que teve mais de 600 músicas inscritas. A música Nanana foi a eleita pelo público, que votou pela internet, com 69.578 votos (mais que o dobro da segunda colocada). Difícil é ser novo e ter um disco bem produzido. Mas a Wonkavision soa madura e moderna pelas mãos de John Pato Fu, que empresta sua experiência de inventor de bons sons e garimpador das sonoridades perfeitas aos gaúchos –e assim poupa os novatos de várias etapas em busca de sua verdadeira identidade sonora. O Wonkavision, pop e bem produzido, não se insere em cenas da moda nem carrega bandeiras de sua nação (embora sejam gaúchos). Abusado, não economiza nem refrões nem claps nem backing vocals melódicos. Ao seu tempo, reinventa um iê-iê-iê sem fronteiras, recheado de teclados espaciais, como se promovesse um encontro da saudosa Cely Campelo com a inventiva dupla do Stereo Total. Democrático, promove uma saudável alternância de vocais masculinos e femininos, e cria uma identidade forte com o universo de ambos os sexos –é sintomático que no mesmo disco haja frases como “com qual brinquedo começo a brincar/nesse jogo mais rosa do que azul?”, da pérola Brinquedos, ou “garotas assim/tem aos montes por aí”, de Aquele Alguém. E se rock é um estilo ultra-pop, Quando 16 é rock pronto para virar hino do estilo, que tem nas guitarras de Rejection Junkie outro de seus melhores momentos. Numa de suas letras, o Wonkavision diz algo como “faço o que for preciso pra ganhar o seu amor”. Um CD assim, tão sincero e tão direto, já é um bom começo… - Postado por: Cris às 15h53 [ ] [ envie esta mensagem ]
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